Os desfiles oficiais das escolas de samba se iniciaram em 1946 na Rua da Conceição, chamada de “Chão Sagrado”, por preservar a proximidade entre o público e os componentes das escolas e teve a Sabiá como a primeira campeã. No entanto, a história do carnaval niteroiense começa bem antes disso: O Combinados do Amor, do bairro do Caramujo, é oficialmente a primeira escola de samba de Niterói, tendo sido fundada em 20 de outubro de 1936. Porém, como só passou a se intitular como escola de samba em 1939, há quem possa considerar a Sabiá, fundada em 12 de agosto de 1938, como a primeira escola da cidade.
As maiores campeãs e mais tradicionais escolas do carnaval niteroiense são Viradouro e Cubango, com 18 e 11 títulos, respectivamente. A Viradouro ganha esse nome devido ao bairro ser o ponto de retorno dos bondes que transportavam a população niteroiense na época. Inicialmente representada pelas cores rosa e azul, escolha feita por serem as cores de Nossa Senhora Auxiliadora, padroeira da escola, a agremiação mudou suas cores para o tradicional e conhecido vermelho e branco em 1971, após o fechamento da fábrica de tecidos que fornecia as vestimentas. Justamente com a Cubango, a escola se muda para o carnaval carioca em 1985. Do outro lado da ponte, conquista 4 títulos do grupo especial: 1997, 2020, 2024 e 2026, além de três títulos da segunda divisão e um título da terceira. Com sambas e desfiles históricos como: “Pra Cima, Ciça!” e “Arroboboi, Dangbé”, a escola se consolidou como uma das grandes do carnaval e fincou seus pés nas raízes negras do carnaval.
A origem do nome Cubango deriva da palavra indígena “u-bang”, que significa “terras escondidas”, mas também remete a um rio em Angola. Desde a sua fundação, a escola buscou manter a sua essência popular, com enredos que exaltam a cultura brasileira. Alguns de seus enredos mais marcantes foram: “Um rei Congo Sabará”, de 1972, “Folclore: Riqueza do Nordeste”, de 1975 e “Afoxé”, de 1979 e o mais recente “A Voz da Liberdade”, de 2020, em homenagem à Luiz Gama, considerado o patrono da abolição no Brasil. Também se mudando para o Rio em 1985, a Cubango conquistou dois títulos da terceira divisão do carnaval carioca em 2002 e 2009. Apesar de nunca ter conquistado o acesso para o grupo especial, a agremiação bateu na trave em 2019, ficando com o vice-campeonato da segunda divisão carioca, tendo como enredo “Igbá Cubango - A Alma das Coisas e a Arte dos Milagres”. Pelo seu impacto na cultura do Rio de Janeiro, foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial em 2024.
Essa mudança das duas mais tradicionais escolas trouxe, no entanto, péssimas consequências para os desfiles niteroienses: sem as principais atrações, o evento ficou esvaziado e perdeu popularidade, o que forçou a paralisação definitiva de sua realização em 1996. O seu retorno só ocorreu em 2006. Felizmente, com mais apoio e estrutura para realização dos desfiles com o sambódromo no Caminho Niemeyer, os desfiles continuam ocorrendo até os dias de hoje como uma forma de permanência e reafirmação cultural das camadas populares e negras da cidade.
Outra forma de curtir o carnaval em Niterói durante muito tempo foram os clubes. Entre os principais, se destacam: o Clube Central, em Icaraí, o Canto do Rio, no centro, e o Clube de Regatas Gragoatá. Nesses clubes ocorriam bailes e desfiles de fantasias muito concorridos com vendas de mesas e até pessoas que atravessavam a Baía de Guanabara da capital para Niterói para prestigiá-los. A lotação no Clube Central era tanta, que muitas vezes os foliões ficavam do lado de fora aplaudindo e vaiando as fantasias, com o trânsito da praia sendo interrompido por muitas vezes. Esses bailes eram tão famosos que os clubes faziam a confraternização das bandeiras, momento em que uma delegação do clube visitava a outra e desfilavam no salão central desses espaços.
Produtos do Acende a Luta!
Produtos: A partir de roteiros que sintetizam a pesquisa histórica realizada, produzimos conteúdos em formato reels para o Instagram do Acende a Luta. A estratégia de divulgação contou com três vídeos principais: um material introdutório sobre a história do Carnaval de Niterói em formato de reels, um material comentando sobre a história de Viradouro e Cubango em formato de reels e outro focado em formato de entrevista no G.R.C.E.S da Ponta d' Areia.
Processo de gravação: no dia 13/06/2026, fomos ao barracão da G.R.C.E.S da Ponta da Areia para ouvirmos as pessoas da comunidade da escola contarem sobre as suas próprias vivências.
Pessoas entrevistadas:
Gustavo Soares: presidente da G.R.C.E.S da Ponta da Areia, morador da comunidade há muitos anos, Gustavo contou os principais desafios sobre fazer um desfile nas divisões inferiores de Niterói, comentou sobre a emoção de representar o seu território na avenida e trouxe suas perspectivas futuras para a escola e para o carnaval niteroiense.
Winnie Delmar: porta-bandeira da G.R.C.E.S da Ponta da Areia, comentou sobre vários aspectos, como: a representatividade do casal de mestre-sala e porta-bandeira para as crianças negras da comunidade, a ancestralidade que a dança do casal carrega, a invisibilidade de quem desfila em Niterói e as formas de driblar a falta de estrutura que a escola enfrenta.
Ana Victória: diretora de comunicação da G.R.C.E.S da Ponta da Areia, comentou sobre o papel da comunicação da escola em dar voz às pessoas negras da comunidade, com as histórias sendo contadas por elas próprias e também argumentou como a mídia tradicional, ao divulgar massivamente o carnaval do Rio e ignorar a expressão artística niteroiense, silencia as histórias e marginaliza as vivências da cidade.
Comissão artística da G.R.C.E.S da Ponta da Areia, recém criada na escola, os membros da comissão explicaram um pouco sobre suas formações artísticas e de que forma seus trabalhos são fundamentais para a construção do desfile e da identidade da escola.
Link para o primeiro reels, sobre a história do Carnaval de Niterói:
Aqui está disponível o Relatório Completo do Grupo:
Referências Principais
ROMANO, Daniel Ruiz. O chão e o solo: disputas políticas e territoriais na implementação da Lei do Sistema Municipal de Cultura de Niterói. Orientadora: Lia Calabre de Azevedo. Niterói, 2020. Qualificação 3 Programa de Pós-Graduação em Cultura e Territorialidades, Universidade Federal Fluminense, Niterói, Rio de Janeiro.
HISTÓRIA DO CARNAVAL DE NITERÓI:
Referências Complementares
Créditos da Turma
Elisa Borges de Matos - Pesquisa, Planejamento, Captação
João Gabriel dos Santos Alves - Pesquisa inicial, Roteiro dos reels, captação, narração dos reels e do vídeo final e produção
Paulo Arthur de Oliveira Kukiel - Participação nos Reels, Captação do áudio, Narração do Reels e no vídeo final
Luiz Felipe Rodriguez Lorenzo - Pesquisa, captação e participação dos reels
Talita Mosquéra Filgueiras - Pesquisa, participação em reels e edição dos reels.
Damir Martínez Herrera - Participação na gravação de conteúdo audiovisual para a criação de reels.
Joanna Colaço Passos - Participação na gravação de conteúdo audiovisual para a criação de reels para o perfil do Acende a Luta.
Júlia Tavares dos Santos Ramos - Captação, edição e roteirização de Reels, elaboração de perguntas para a entrevista final.




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